Se seguirmos uma dieta equilibrada, conseguimos obter todos os nutrientes essenciais
à manutenção da saúde, pelo que a utilização de suplementos é desnecessária!
Será esta noção correcta?
Na minha opinião, não.
Grande parte da população ocidental não consome as 5 a 9 doses de fruta e vegetais
recomendadas pelo National Cancer Institute.
A quantidade de nutrientes dos solos varia consideravelmente.
As técnicas agrícolas e factores ambientais provocam o esgotamento de vários
minerais, como o selénio e o iodo, que não se encontram na maior parte dos solos, a nível mundial
O zinco também se encontra ausente em muitos solos, em especial na zona do
Mediterrâneo, onde o trigo, que cresce no mesmo solo há 4000 anos, esgotou as
reservas deste mineral.
Vários estudos epidemiológicos demonstram que as populações que vivem em áreas,
onde, os solos possuem baixos níveis de selénio, magnésio e zinco, apresentam
ingestões desses minerais abaixo das doses diárias recomendadas, o que se
correlaciona com maior incidência de diversos tipos de cancro, no caso do selénio
maior incidência de doenças cardiovasculares, respiratórias e gastrointestinais, no caso do magnésio e atrasos na maturação de adolescentes, no caso do zinco.
Transporte, armazenamento e confecção dos alimentos.
A maior parte das frutas e vegetais é colhida, armazenada, transportada e novamente
armazenada até ser adquirida. Ora, a partir do momento em que são colhidos, há uma
perda gradual de vitaminas, como o demonstra um estudo antigo (de 1988) publicado
no Journal of the American Dietetic Association, segundo o qual os vegetais, desde o
momento em que são colhidos até serem ingeridos em restaurantes, perdem cerca de
40% do seu conteúdo em vitamina C.
Do mesmo modo, as couves de Bruxelas congeladas durante 6 meses apresentam
quantidades de vitamina C 14 a 32% menores do que no momento da colheita
Outro processo que contribui para a perda de nutrientes é a confecção. A cozedura do
arroz e de vegetais de folha verde destrói 40 a 50% do seu conteúdo de tiamina
30 a 35% do valor de vitamina A, no caso dos vegetais de folha amarela.
Estes factos sugerem que devemos procurar outras fontes de vitaminas, minerais,
fitonutrientes e aminoácidos, surgindo, assim, os suplementos alimentares, que
existem no mercado sob a forma de cápsulas, comprimidos e em pó.
As vozes que se opõem a esta opinião afirmam que os alimentos conseguem fornecernos
as doses diárias recomendadas. Esta afirmação levanta três questões: em
primeiro lugar, as doses diárias recomendadas (DDR) actuais referem-se ao mínimo
indispensável para evitar certas doenças, como o escorbuto (no caso da vitamina C).
Ora, vários estudos demonstram que são necessárias doses muito superiores às DDR
para obter efeitos benéficos sobre a saúde do organismo. O poder antioxidante das
vitaminas C e E, por exemplo, foi demonstrado com doses superiores a 300 e 100 mg,
respectivamente (sendo as DDR de 60 e 30 mg, respectivamente)
dose de vitamina E, através dos alimentos, seria necessário ingerir 950 ml de azeite
ou 215 g de amêndoas ou 7 kgs de espinafres ou 7 kgs de manteiga.
A segunda questão prende-se com o facto dos alimentos conterem quantidades de
nutrientes, cada vez menores, pelos motivos já referidos.
Por último, é extremamente difícil ingerir os alimentos certos na quantidade certa,
mesmo para obter algo tão pequeno como as DDR. Num dos seus livros
nutricionista e bioquímico Michael Colgan, refere duas dietas equilibradas elaboradas
por dois nutricionistas, que eram ambas deficientes em crómio e faz a seguinte
afirmação: “Se dois investigadores não conseguem encontrar um plano alimentar que
forneça a dose diária recomendada de todos os nutrientes essenciais, que hipóteses
temos nós de o fazer?!”
E se ainda persistem dúvidas, os resultados do Third National Health and Nutrition
Examination Survey revelaram que parte da população americana e com recursos
económicos para se alimentar correctamente, apresenta níveis inferiores às DDR de
nutrientes essenciais à saúde, designadamente vitamina E, ácido fólico, cálcio e
magnésio.
Tendo conhecimento destes factos, vários autores defendem a necessidade de
suplementos, como os investigadores Willet e Stampfer da Harvard Medical School e
Harvard School of Public Medicine, que apresentaram
americana, que recomenda a utilização de multivitamínicos por todos, mas o primeiro grande passo nesse sentido foi dado em 1998, pelo New England Journal of Medicine,
que publicou um artigo que, apoiando-se em estudos que indicavam que a ingestão de
suplementos de vitamina B12, B6 e ácido fólico poderiam reduzir os níveis de
homocisteína e, desta forma, diminuir a incidência de enfartes do miocárdio e de
acidentes cerebrais vasculares, terminava, recomendando o uso de multivitamínicos.
a nova pirâmide alimentar
Importa, ainda, referir que os nossos antepassados viviam num ambiente, onde a água
e o ar eram puros e acordavam e deitavam-se, de acordo com a luz solar (esta permite
obter vitamina D). No entanto, ingeriam cerca de 4000 calorias provenientes de
alimentos integrais muito ricos em nutrientes. Essas calorias eram utilizadas no
trabalho físico, pelo que não eram armazenadas sob a forma de gordura.
Hoje em dia, vivemos constantemente em stress, estamos expostos a níveis brutais de
poluição, trabalhamos em edifícios iluminados artificialmente, não vemos a luz do sol,
bebemos água duvidosa, ingerimos alimentos ricos em calorias e pobres em nutrientes
(sujeitos a pesticidas, herbicidas, hormonas, antibióticos e outras toxinas), dormimos
muito pouco e de forma irregular e não fazemos qualquer tipo de exercício.
Em suma, as nossas necessidades de nutrientes são maiores, as nossas
necessidades calóricas são menores e os alimentos que ingerimos têm cada vez
menos nutrientes, o que explica a existência de tantos estudos epidemiológicos que
estabelecem a relação entre as deficiências vitamínicas e minerais e várias patologias
(cancro, doenças cardiovasculares, cataratas, osteoporose, etc.)
Assim, qual a solução? De acordo com o Dr. Michael Colgan (que já elaborou planos
nutricionais para mais de 30 mil pessoas, entre elas centenas de atletas):
“Simplesmente procurar adoptar um estilo de vida saudável (dormir entre 7 a 9 horas,
fazer exercício físico e ingerir alimentos orgânicos e integrais, como faziam os nossos
antepassados) e utilizar suplementos”.
Sem comentários:
Enviar um comentário